25 de jan. de 2011

DEVANEIO

Todas as noites
Ele vem e passa desapercebido
Cheira o ar e exala forte pelas ventas
Suspiros  envolventes de um perfume confuso
Deixa seu rastro com um resto de enigma
Confunde os sonhos dos pensadores
Grita um grito frenético
Acordando a noite do seu sono escuro
Desabriga os  sentinelas do inocente
E penetra fundo num vale tristonho
Descem das arbóreas confusões do espírito
Um encanto dormente de algo despido
Nudez transparente dos confins do mundo
Seus pés oblíquos arranham o chão
Transcrevendo um poema de arrepios dorsais
Nada no momento candente
No limiar da inconsciência
No instante quase findado
Protesta sobre os fins dos conflitos
Dos homens tateantes no enigma do existo
No estômago de vísceras flamejantes
Depósito de histórias enfadonhas
E gosto pouco refinado

Uma aresta perdida
Poesia  aflita atendendo aos apelos
Compondo o que resta de um quadrilátero colorido
Elo perdido da obra unidimensional
Finda a noite
Ele parte como quem não veio
E o dia raia  cedo como é de costume nesta época do ano.

Beth Olive

Um comentário:

  1. Devaneios, delinear de imagens fruto de um pedido místico, que vem sem razão em uma lógica incerta, com arquétipos atende ao pedido, do desejo molhado, conforta a duvida da clarividência vivida, das formas a medos, e deforma certezas, pulsa uma vida mítica, intensa e cheia de desejos, assim sãos os devaneios, que os celebramos por serem cumplices da alma. Lindo! Adorei!

    ResponderExcluir